segunda-feira, 31 de maio de 2010

Personagem ou não personagem... Eis a questão!

Por Ana Lis Soares Costa - RA: 830781

Desvendar os mistérios por detrás das câmeras é sempre curioso e instigante. É sempre desconhecido o trabalho que o diretor, o roteirista, a equipe toda, enfim, teve antes de lançar o “bolo” pronto. Pois cada curta, longa, documentário ou qualquer gênero que seja é vivido de uma forma diferente; as vivências e as experiências vão se tornando parte daquilo que antes fora pensado. Uma ideia nunca será pronta. O ponto final nem sempre é feito da maneira que esperávamos, quem dirá o conteúdo em si. Não há trabalho que seja igual e, às vezes, nem semelhante. Não existe receita para se criar. A flexibilidade de observar e mudar e acrescentar e tirar informações e imagens deve existir o tempo todo como possibilidade.

É exatamente isso que sentimos quando adentramos a parede que separa a “ficção” do real, o “antes” do “depois” no making off do documentário Edifício Máster, do diretor Eduardo Coutinho, lançado em 2002. A agonia de não saber como será o ponto e, muito menos, o caminho a ser seguido é uma individualidade deste trabalho do autor – quem sabe se não o é em todos? Coutinho se mostra agoniado, irritado e, até mesmo, estressado a princípio. A equipe passa por muitas “crises” sobre o próprio filme que ainda não é filme e as personagens ainda não estão escolhidas.

Aliás, a escolha das personagens feita por Coutinho é algo profundo e trabalhoso. Quem vale à pena? Quem é uma personagem? Nesses momentos, vemos que a “ficção” é buscada e introduzida no contexto. Para uma comparação mais palpável, essa busca de personagens acontece assim como no Jornalismo Literário, encontrado no jornalismo impresso: ilustrar histórias de pessoas comuns, com uma linguagem real de uma forma cativante exige muita sensibilidade.

Ao longo do tempo e das entrevistas feitas – momento em que Coutinho se mostra mais seguro e otimista – a pergunta “o que é esse documentário?” vai sendo encontrada e respondida de forma natural. Aí, a partir disso, o diretor se inspira e em certo momento solta um “isso é pura ficção!!”. O que sentimos com isso é que a forma com que se faz um documentário é algo importante e que traz personalidade ao que é feito. Mas, o que mais interessa é o conteúdo conseguido. É a forma com que se conquista cada segundo de material cativante, de entrevista bem feita. A essência do documentário está na essência das personagens e das pessoas que o produzem.
Coutinho é hoje um dos nomes de maior destaque dentre os documentaristas. Talvez – ou com certeza – essa forma de ele olhar o mundo, de encontrar boas histórias em um “cortiço de Copacabana” o faz ser quem é e a conquistar o público que se encanta com suas personagens da vida real.

Os tópicos de Tricha Das valem para os documentários de Coutinho?

Maria Carolina Vieira RA: 830674

O documentário “Edifício Máster” de Coutinho apresenta algumas características peculiares para o gênero. Não se trata de uma história linear que contém um tema central que se mostra na tela, e sim de fragmentos de histórias de vida, de pessoas totalmente diferentes entre si habitando no mesmo lugar. Juntam-se todos esses depoimentos e só assim temos um tema: o Edifício Master. Embora este conduza e ligue cada parte do documentário, ele não é o personagem principal. Cada um que fala, cada momento ou trecho transforma aquelas pessoas comuns em personagens principais do filme. Portanto, mesmo que num primeiro momento o próprio condomínio pareça ser o ponto chave do documentário, são os personagens que dão vida a ele: o tópico o tema é o principal não condiz com “Edifício Máster”.

Outro fato peculiar, desta vez em relação à produção do documentário, é que ele não é fechado, já que a equipe chega ao local de filmagens quase totalmente às cegas e somente aí começa a levantar possíveis personagens e maneiras de se construir o filme. Eles não tinham idéia para onde a história seria conduzida. Neste ponto, “Edifício Máster” cumpre com o tópico de Tricha Das, pois ele é flexível. Só que esta flexibilidade não é sinônima de desorganização ou falta de direção. Ainda que os personagens (e suas histórias) que construíram “Edifício Máster” fossem uma caixinha de surpresa, quem e cada trecho de fala relevante para o filme foram selecionados, e a filmagem e a condução de cada depoimento foi devidamente dirigida, o que nos leva a concluir que o tópico envolve menos controle não condiz com a realidade.

Talvez o que Tricha Das considere como ter menos controle é o fato da produção não ter o poder de modificar ou interferir imensamente na realidade, partindo-se do suposto que documentários tratam de fatos e não de ficção. Coutinho cumpre com esse tópico, pois o que torna “Edifício Máster” digno de ser lembrado é a veracidade transmitida pelas histórias de vida dos personagens escolhidos. Se não fossem verdadeiras, não teriam graça, já que qualquer um poderia inventar uma narrativa fantástica. Sendo assim, credibilidade é a chave, e Coutinho consegue trabalhar muito bem com isso.

Ele trabalha muito bem, também, com o tópico a forma é mais importante que a fórmula. Isso quer dizer que, se seu documentário fosse organizado de outra maneira, dando menos espaço aos próprios personagens (mesmo que explorasse o universo do condomínio e dos depoimentos) talvez não conseguisse chegar ao público como chegou.

Por fim, o tópico inspira movimento e ação não pode ser atribuído ao documentário de Coutinho, pois ele aborda uma realidade praticamente estática (pessoas falando de vivências dentro de seu lar, com a semelhança que moram todas no mesmo condomínio). A única coisa que se pode notar é que, embora, cenicamente, “Edifício Máster” não mostre movimento, as narrativas dos personagens inspiram o público a criar ação em seu próprio imaginário (como eles contam fatos de suas vidas, levam o público a encenar mentalmente o que foi somente contado e não encenado).

Edifício Master: uma análise a partir de Trisha Das

De acordo com o texto How to write a documentary script da roteirista e diretora norte-americana Trisha Das, em um documentário, o tema é o principal, a chave do sucesso é a credibilidade, a forma é mais importante que a fórmula, é flexível, é um formato que envolve menos controle, que trata de fatos e não de ficção.

A partir da observação das gravações do making off do documentário Edifício Master, de Eduardo Coutinho, será feita uma comparação entre as afirmações de Trisha e da composição do documentário do roteirista brasileiro:

- “O tema é o principal”. Certamente. Como pode-se perceber nos bastidores do Edifício Master, depois que o tema é escolhido, ele é levado até o final. Como aparece no making off, a equipe de Coutinho afirma que não sabiam se gravariam apenas no edifício Master ou se teriam que procurar mais um condomínio de apartamentos, o que significa que o objetivo, que era o de entrevistar diferentes pessoas que moram em um mesmo prédio, estava determinado. Para cumpri-lo, não importava quantos prédios teriam de procurar.

- “A chave é a credibilidade”. Mais uma vez Coutinho e sua equipe agem conforme os princípios de Trisha. Nenhum entrevistado foi filmado logo de início. Antes de gravar com cada um, houve uma entrevista inicial, uma espécie de bate-papo. Tanto para avaliar se a história daquele morador seria útil para o documentário, tanto para mostrar que o que estava acontecendo ali era um trabalho sério.

- “A forma é mais importante do que a fórmula”, “é flexível”. A primeira questão talvez deixe um pouco de dúvida. Se o que Trisha quis dizer com a afirmação é que o mais importante é O QUE será feito do que COMO será feito, parece que a equipe de Coutinho se portou como tal. Com base no que já foi dito na primeira afirmação, fazer o documentário é o mais importante. Eles tinham uma ideia e sabiam que precisavam fazer um documentário, ainda que o tema final não fosse conhecido. Ou seja, embora não tivessem certeza de como seria o produto final, tinha absoluta certeza que nasceria um documentário. Logo, é também flexível e, de quebra, “é um formato que envolve menos controle”. Afinal, ao decidir por fazer um documentário, o roteirista tem uma ideia inicial, que nem sabe se pode se concretizar. Como no caso de Coutinho, ao mesmo tempo em que ele e sua equipe pesquisavam, iam traçando a história a ser contada. Ou seja, não está nas mãos do diretor dizer aos entrevistados “agora você fala isso e faz aquilo”, é a partir das entrevistas que vai se descobrir se a ideia de tema inicial pode gerar um tema legal de trabalho.

- “Trata de fatos e não de ficção”. É desta forma que Coutinho trabalha durante toda a produção do Edifício Master, no entanto, ele busca tratar de fatos de modo a torná-los interessantes como se fosse ficção. Pois, que graça teria entrevistar pessoas com histórias absolutamente normais? Desta forma, Coutinho tem o cuidado de procurar histórias diferentes, como a de uma moça que é prostituta, de outra que tem fobia social etc. Ou seja, apesar de se tratarem de fatos, são parecidos com a ficção e expostos de modo a se tornarem interessantes.

Conclui-se assim que Edifício Master segue a fórmula de documentário de Trisha, principalmente porque no making off é possível perceber as incertezas de Coutinho, a preocupação com o produto final, a necessidade de se encontrar pessoas com boas histórias e dispostas a falar, sempre na busca de se obter bons materiais para a produção de um bom resultado.

domingo, 30 de maio de 2010

Edifício Master – análise da construção de um documentário

CAROLINA BORTOLETO FIRMINO - 830682


Ao assistir o making of do documentário “Edifício Master” de Eduardo Coutinho e compará-lo ao produto final, é possível perceber alguns aspectos pontuados em “How to write a documentary script”, de Trisha Das.

São esses aspectos: o tema, a credibilidade, forma X fórmula, relação entre fatos e ficção, movimento e ação, a flexibilidade e o menor controle sobre a obra.

No making of fica nítida a importância de cada um desses fatores. O tema, por exemplo, já existia. Coutinho sabia o que queria fazer, mas não tinha certeza se daria certo. Falar sobre o condomínio? Sobre as histórias que ali se passaram? Ou sobre as pessoas, que ali vivem? Afinal, elas não são celebridades, mas não deixam de chamar a atenção para a sua vida. O tema surge conforme vão surgindo as histórias. Nesse meio tempo, percebe-se não só a relação entre fatos e ficção, mas também o menor controle sobre a obra.

A relação entre fatos e ficção aparece justamente nas histórias contadas pelos moradores, e Coutinho percebe isso. No final do making of, quando um deles canta “My Way”, o documentarista grita que aquilo é “pura ficção”, talvez pelo fato dele mesmo pedir a música e criar a cena. E não é só. Sendo contadas as histórias, são criados personagens, as personalidades do “Edifício Master”. Sobre a falta de controle da obra, realmente, no início Coutinho estava perdido, não se mostrou amigável e não sabia que caminho seguir, mas conforme foram surgindo pessoas com histórias interessantes pra contar, o cenário foi se constituindo.

A credibilidade, o movimento e a ação aparecem com o todo o cenário construído. Um documentário que passa credibilidade é aquele que mostra o contexto exatamente como ele é. Coutinho conseguiu isso retratando as pessoas verdadeiramente. No making of é possível perceber a liberdade dada aos personagens do documentário, já que eles contam suas histórias como elas realmente aconteceram, sem restrições. O movimento e ação, por sua vez, se dão nas próprias histórias e na busca por elas. A equipe tenta conseguir personalidades que prendam a atenção de quem for assistir o documentário, e com isso dão ação e movimento às filmagens, o que pode ser percebido no produto final.

Por fim, a flexibilidade e a relação forma X fórmula também são percebidas ao comparar o documentário em si, com o making of. A fórmula pronta para se fazer um documentário acaba perdendo a validade, já que se o produto for igual a qualquer outro, pode deixar de ser interessante e único. A forma como ele é feito, porém, pode chamar a atenção e resultar em um documentário com suas próprias peculiaridades e pontos que prendem o olhar de quem o assiste. Neste aspecto é importante a flexibilidade, para entender o que é melhor, o que é mais fácil ou difícil, o que vai qualificar a obra etc, sem se prender a conceitos.

O documentário “Edifício Master” o seu making-of mostram a ousadia de um cineasta que apesar de ter uma idéia boa, não sabia o que ia encontrar. Com todos os aspectos citados acima, entre os mais nítidos a flexibilidade, o movimento e a credibilidade, Coutinho conseguiu um produto que nem ele podia imaginar produzir, vide a insegurança mostrada no making-of. Acredito que o modo como ele entrou na vida daquelas pessoas e a segurança adquirida ao longo das filmagens, resultaram num documentário que consegue enriquecer o inexplorado e a realidade muitas vezes distante das câmeras.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O documentário e “Edifício Master”

Nome: Bruno César Tozatti Piola (RA: 830542)

Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho, é um documentário que mostra as diferentes histórias de moradores de um prédio, localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Pode-se dizer que a temática é a diversidade de histórias, de vidas, de indivíduos que moram uns do lado dos outros e nem sequer se conhecem. Mas seria o tema o aspecto principal de um filme? Eu acredito que não: quando vamos assistir a uma produção cinematográfica, o que nos chama a atenção é obviamente do que a obra trata, mas não o que nos faz ficar sentados durante toda a projeção. Claro, contar várias histórias para um documentário parece interessante, mas se assistíssemos a narrativas monótonas e triviais, certamente não assistiríamos ao filme inteiro. Para mim, a abordagem do tema é mais importante que o tema em si.
Se vamos assistir a um documentário, esperamos ver situações reais (caso contrário, optaríamos por um filme de ficção) e conhecer mais da nossa realidade. Por isso, credibilidade deve ser um valor levado em conta na hora de se filmar um. Ninguém vai valorizar o filme se não acreditar no que se passa na tela. Em Edifício Master, essa credibilidade é alcançada ao deixar os próprios moradores falarem – desse modo, seus discursos parecem autênticos. Eles são apenas direcionados pelas perguntas de Coutinho, mas isso não compromete em nenhum aspecto o longa.
Não gosto do termo “fórmula”, porque ele não abre espaço para criatividade, inovação, descoberta. Infelizmente, fórmulas de como fazer documentários são usadas por muitos cineastas até hoje. A forma de um filme, para mim, é mais importante, porque é o que o espectador vai ver diretamente, é o que pode diferenciar um filme dos outros. A fórmula restringe um filme a coeficientes, e uma obra é muito mais complexa do que isto.
Concordo apenas em parte com a afirmação “O documentário trata de fatos, não ficção”. Se eu pudesse reescrevê-la, seria assim: “O documentário trata de fatos, fazendo uso de elementos narrativos”. O público está bem mais acostumado a ver filmes de ficção do que documentários – talvez este seja o maior motivo pelo qual exista uma certa estrutura narrativa neste tipo de filme. Podemos observar que, em documentários, há a construção de personagens (em Edifício Master existem muitos), contextualização de um conflito, e a resolução ou não deste - todos elementos que aparecem em quase todos os filmes de ficção. Então, creio que a linha entre documentário e ficção é bastante tênue, e não deveríamos nos apressar em classificar um filme como “ficção” ou “documentário”. As duas categorias se complementam.
Já quanto à flexibilidade do documentário eu concordo plenamente. Este não possui o conforto dos filmes de ficção, que geralmente são gravados em estúdios e com o roteiro pronto. Como se está lidando com a realidade, o cineasta é muito mais livre para fazer suas escolhas de como filmar, qual sua abordagem da temática. Por outro lado, há pouco controle na hora de realizar um documentário: tudo pode acontecer, e nesse “tudo” incluem-se coisas ruins como não se conseguir depoimentos suficientes, falta de autorização para captar imagens, etc. Lidar com a realidade te dá liberdade, mas também exige mais cuidado na estruturação do documentário.
Finalizo este texto com a declaração que o documentário “inspira movimento e ação”. Talvez ela se refira ao modo como os documentários são filmados: eles carecem de pesquisa, de muito esforço, de criatividade e muito talento, principalmente.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Roteiro de cena Central do Brasil - Mariana Almeida e Letícia Andrade

http://www.youtube.com/watch?v=5VQXtxcg8mE

(Analisados apenas os primeiros 01:37 segundos iniciais do filme)

Central do Brasil

Sequência – 01
Crédito da distribuidora
Barulho de pessoas se movimentando em uma estação de trem.
VOZ (off, anunciando em alto-falante)
Trem para próxima estação... Saída prevista para as oito horas e dezesseis minutos.

Sequência – 02
EXTERNA/PLATAFORMA/DIA
Música de fundo. Abrem-se as portas do trem e as pessoas desembarcam.

Sequência – 03
INTERNA/CORREDOR, MESA DE DORA/DIA
Câmera fixa, sob o ponto de vista da DORA. Música de fundo permanece.
MULHER (lamentosa, com sotaque)
Querido. Meu coração é seu... Eu também vou ficar trancada aqui fora te esperando.

Sequência – 04
EXTERNA/PLATAFORMA/DIA
Música de fundo permanece. Pessoas circulam pela estação.

Sequência – 05
INTERNA/CORREDOR, MESA DE DORA/DIA
Câmera fixa, sob o ponto de vista da DORA. Música de fundo permanece.
SENHOR (homem humilde)
Foi um cara que me enganou... Inté a chave do meu apartamento você carregou.

Sequência – 06
EXTERNA/PLATAFORMA/DIA
Música de fundo permanece. Pessoas circulam pela estação.
Ana (off)
Jesus...

Roreiro abertura Trainspotting

Roney Rodrigues e Thiago Teixeira




1- EXT. UMA RUA MOVIMENTADA DE DUBLIN. DIA

Renton está correndo ao lado Spud. Ambos estão ofegantes e fogem de dois seguranças. Na fuga, produtos escondidos em suas roupas caem na calçada. Renton corre mais que Spud e desce uma escadaria, saindo da rua principal. Um dos seguranças continua seguindo-o. Renton está atravessa uma rua e um carro freia bruscamente para evitar o atropelamento.
RENTON
(voice-over)

Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family,
Choose a fucking big television, Choose washing machines, cars,
compact disc players, and electrical tin openers.
Ele desliza sobre o capô e cai no chão. Os seguranças seguem perseguindo Spud, esquecendo dele. Ele se levanta, olha aliviado os seguranças atrás de Spud e sorri.
Efeito e letreiro com o nome do personagem: RENTON

2 - INT. UM APARTAMENTO ESCURO E DESARRUMADO. DIA

Renton traga um cigarro de maconha. A câmera gira ao redor do apartamento, Renton começa a curvar suas costas para trás.
RENTON
(voice-over)

Choose good health, low cholesterol and dental insurance. Choose
fixed-interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose
your friends.
3 - EXT. UM CAMPO DE FUTEBOL. NOITE

Os cinco amigos estão alinhados em formação de time de futebol para foto. Em primeiro plano está a bola de futebol. Em mesma posição, o outro time. O jogo começa e Sick Boy passa uma rasteira em um dos adversários e reclama que não fez nada. Efeito e letreiro com o nome do personagem: SICK BOY. Begbie também faz uma falta violenta. Efeito e letreiro com o nome do personagem: BEGBIE. Um dos adversários arranca com a bola e chuta contra o gol de Spud, que desajeitadamente tenta fechar algum dos ângulos. Efeito e letreiro com o nome do personagem: SPUD. A torcida xinga. Quatro jogadores disputam a bola na linha de fundo e trombam com o alambrado. Tomny e mais alguns jogadores formam uma barreira. Efeito e letreiro com o nome do personagem: TOMMY.
RENTON
(voice-over)

Choose leisure wear and matching luggage. Choose a three piece
suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY
and wondering who you are on a Sunday morning. Choose sitting on
that couch watching mind-numbing sprit-crushing game shows,
stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at
the end of it all, pishing you last in a miserable home, nothing
more than an embarrassment to the selfish, fucked-up brats you
have spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life.
O adversário toma distância e chuta a bola, que acerta a cabeça de Renton, derrubando-o. A cena oscila entre a queda de Renton durante o jogo e a queda no apartamento onde se drogava, a queda ocorre em Slow-motion. Renton cai, a câmera gira em torno dele.
RENTON
(voice-over)
But who would I want to do a thing like that?
CORTA



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Trecho do Roteiro de Volver - Almodóvar 2006




Por Mariana Zaia e Olavo Barros



SEQUÊNCIA

Noite
INTERNA/ RESTAURANTE/ NOITE



TOCANDO A MÚSICA “VOLVER”. PANORÂMICA: MÃOS MASCULINAS BATENDO PALMAS, DOIS VIOLÕES SENDO TOCADOS E MÃOS FEMININAS BATENDO PALMAS. A CÂMERA SOBE E CLOSE NO ROSTO DE RAIMUNDA QUE COMEÇA A CANTAR.

RAIMUNDA

Tengo miedo del encuentro/
con el pasado que vuelve/ a enfrentarse con mi vida...


CÂMERA PLANO MÉDIO PERSONAGENS DE PAULA E SOLEDAD. ATRÁS ESTÃO AS PESSOAS QUE ASSISTEM À RAIMUNDA CANTAR.

SOLEDAD

Esta cancion se enseñó la abuela a tu madre para lo concurso de niñas cantantes.

PLANO GERAL.RAIMUNDA CANTA ACOMPANHADA POR DOIS VIOLÕES E POR UMA MULHER E UM HOMEM QUE BATEM PALMAS. ESTÃO SENTADOS EM CADEIRAS. A MÚSICA CONTINUA.

RAIMUNDA

Tengo miedo de la noche/que pobladas de recuerdos/encadenan mi soñar...

CLOSE EM IRENE QUE, ESCONDIDA, ABRE A JANELA DO CARRO E OBSERVA, COM LÁGRIMAS NOS OLHOS, RAIMUNDA CANTAR.

RAIMUNDA

Pero el viajero que huye/ tarde o temprano detiene su andar/Y aunque el olvido, que todo destruye/haya matado mi vieja ilusión/guardo escondida una esperanza humilde...

CLOSE EM IRENE QUE CONTINUA EMOCIONADA E A OBSERVAR SUA FILHA CANTAR.
RAIMUNDA

que es toda la fortuna de mi corazón/ Volver... con la frente marchita..

RAIMUNDA, ENQUANTO CANTA, OLHA NA DIREÇÃO QUE ESTÁ IRENE. IRENE SE ASSUSTA E SE ESCONDE.

RAIMUNDA

sentir.../que es un soplo la vida/que veinte años no es nada/que febril la mirada/ errante en la sombra

POR ENTRE DUAS CABEÇAS, A CAMERA FOCALIZA A PORTA DO CARRO E A JANELA ONDE IRENE ESTAVA.

RAIMUNDA

te busca y te nombra/
vivir.../con el alma aferrada/a un dulce recuerdo
que lloro otra vez...

APLAUSOS. CORTA PARA IRENE CHORANDO DEITADA NO BANCO DE TRÁS DO CARRO OUVINDO OS APLAUSOS AO FUNDO.

ROTEIRO CENA “CAMA DE GATO” 05/10/2009

Cena

ROTEIRO CENA “CAMA DE GATO” 05/10/2009

Carolina Firmino - 830682
Maria Carolina - 830674

EXTERNA/DIA/CARRO EM FRENTE AO PREDIO

PLANO GERAL
Verônica está dentro do carro em frente a um prédio. Está tentando ligar para alguém pelo celular.
PLANO MÉDIO.
Fala: “Atende...”
O celular só dá caixa postal. A mensagem da secretária eletrônica é ouvida pelo telespectador.
Fala: “Droga...”
Verônica desliga o celular.
VERÔNICA EM PRIMEIRO PLANO E CASAL (VISTO PELA JANELA DO CARRO) EM SEGUNDO PLANO.
Verônica enxerga o casal dentro do prédio.
CLOSE EM VERÔNICA
CLOSE NO CASAL COM VERÔNICA EM SEGUNDO PLANO (CABELO APARECE NO CANTO DA TELA EMBASSADO)
CLOSE EM VERÔNICA
CASAL EM PLANO MÉDIO COM VERÔNICA EM SEGUNDO PLANO
Roberto se despede da moça e fica em frente ao prédio. Verônica liga para ele, que atende o celular.
CLOSE EM VERÔNICA
Fala: “Oi. Olha pra trás”
ROBERTO EM PRIMEIRO PLANO, VERÔNICA EM SEGUNDO PLANO.
CLOSE EM VERÔNICA
PLANO MÉDIO EM ROBERTO.
Roberto caminha até o carro e entra.
CLOSE EM VERÔNICA E ROBERTO. A CÂMERA FICA EM CAMPO E CONTRACAMPO.
Fala: (Verônica) “Ah, não. Não é nada do que eu estou pensando...”
Fala: (Roberto) “Tá com ciúmes, é?”
O diálogo fica mais tenso. CLOSE-UP NOS DOIS.
Fala: (Verônica) “E aí, ficou com medo?”
Fala: (Roberto) “Não...”
Roberto sai do carro.
PRIMEIRO PLANO EM VERÔNICA. ROBERTO ESTÁ EM SEGUNDO PLANO (SÓ VÊ SUAS COSTAS).
CLOSE EM VERÔNICA.

Nesta cena, não há muitas variações de câmera e planos, pois o espaço que se desenvolve é bem restrito (interior do carro). Há um plano geral no começo, que indica onde está se passando a ação e, a partir daí, segue-se, basicamente, um jogo de planos entre Verônica e o casal. Quando os dois (Verônica e Roberto) já estão dentro do carro, o plano fica mais próximo, num ângulo de campo e contracampo, no qual se desenvolve o diálogo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Roteiro de "Som e Fúria", cena Hamlet

Laís Modelli
http://www.youtube.com/watch?v=iurrrB485oM

Cena 1 - Porão cheio de pessoas - Interna - Meia luz.

Descrição da cena:
Grupo de atores reunidos no porão do teatro, passando a peça "Hamelet". Todos estão sentados em "meia lua", com o "Hamelet" recitando suas falas. No início o ator vai muito mal. Com o passar das falas, ele vai ganhando segurança e melhora a atuação. O clímax da cena acontece quando o ator fura o cano acima de sua cabeça, se molha e provoca risos nos demais atores que o assistem. A água vem como lavar as ideias do ator, que surpreende a todos presentes com sua nova atuação. Nesse momento, a cena se passa em uma tempestade, com baixa iluminação, mas o cenário continua o mesmo.

Diálogos:
ator de Hamlet - Vai para um convento, ou prefere ser reprodutora de pecadores? Eu mesmo sou um pucado honesto e mesmo assim posso acusar a mim mesmo de tais coisas que seria melhor minha mãe não ter me dado a luz. Eu sou arrogante, vingativo, ambicioso. E sou capaz de mais crimes do que posso pensar, do que tenho imaginação para concebe-los, tempo para executa-los. O que fazem individuos como eu, rastejando entre o céu (erra involuntariamente), digo, entra a terra e o céu?

levanta uma faquinha e estoura o cano acima de sua cabeça. Cai água. Todos riem. Ocorre a mudança no ator.

ator de Hamlet - Ventos, soprai de arrebentar as próprias buchechas. Enraivar. Soprai com força trombas e cataratas. Chamuscai minha cabeleira branca. E tu, trovão de tudo abalador (...) E tu, se manda para um convento.